À Oscar Niemeyer

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Dezembro chega. De todas as piadas, programas de televisão sobre o fim do mundo, Dezembro realmente parece estar cumprindo grandes finais. Ontem o arquiteto Oscar Niemeyer faleceu, no mês de dezembro; mês em que se comemora o Dia do Arquiteto, mês em que se comemoraria seu 105 aniversário, mês de sua morte, mês do fim do mundo. Ironicamente, coincidências à parte, é assim que este grande homem se despede do mundo.

Durante a faculdade de arquitetura aprendemos a reconhecer seu trabalho, e não por acaso: Niemeyer foi um dos únicos arquitetos brasileiros a ser internacionalmente reconhecido, elogiado, premiado pela sua arquitetura moderna. Sua forma apaixonada de trabalhar, incessante, é o estímulo que estudantes de arquitetura precisam para desenhar uma nova paisagem daqui pra frente.

Já tive raiva sim de Niemeyer. Por alguns momentos achei que nenhum outro arquiteto brasileiro cumpriria uma trajetória brilhante como a dele, e essa reflexão me entristecia. Será que não tem mais ninguém por aí tão bom ou melhor? Digo isso fazendo referência a um concurso realizado em Minas Gerais em que o primeiro lugar recebeu o prêmio, mas não construíram sua obra, porque resolveram chamar Oscar Niemeyer pra fazer o tal edifício. Até quando Niemeyer seria o único grande nome a ser aclamado nas obras de museus, praças ou Memoriais? Essa onipresença às vezes cansava, com as mesmas linhas geométricas primitivas, o concreto armado, pintado de branco. Mas é exatamente essas mesmas curvas simples que nos dizia: a arquitetura pode ser linda, moderna, sendo simples. Que grande lição!

E tem Brasília. Ainda hoje e principalmente depois de ontem, ainda há a confusão em dizer que Oscar Niemeyer construiu Brasília. Lúcio Costa foi quem projetou o plano piloto, e Niemeyer, sendo seu aprendiz, projetou os edifícios. Dois visionários. Brasília é uma cidade única no mundo. É só olhar para nosso Congresso Nacional e a perspectiva da esplanada dos Ministérios pra nos orgulhar de quão autênticos somos. Não temos os edifícios públicos repetidos como o mundo afora, com  grandes colunas, frontões, detalhes Neoclássicos. Quão bela é a Catedral de Brasília, ou o edifício do Itamaraty. Nada se compara a este patrimônio, um legado que Niemeyer nos deixou.

Imagine só viver um século de vida, o principal século de grandes invenções e avanços que Oscar Niemeyer viveu. E imagine só ser atual todo esse tempo nas suas obras, na sua maneira de pensar e projetar. Entre obras maravilhosas, e outras com algumas críticas negativas, é indiscutível a sua genialidade, originalidade, seu posicionamento diante de sua ideologia, e seu legado construído.

Obrigada Oscar Niemeyer.

Palácio do Itamaraty - Brasília

Palácio do Itamaraty – Brasília

Palácio do Itamaraty - Brasília

Palácio do Itamaraty – Brasília

Palácio do Itamaraty - Brasília

Palácio do Itamaraty – Brasília

Congresso Nacional - Brasília

Congresso Nacional – Brasília

Congresso Nacional - Brasília

Congresso Nacional – Brasília

Museu de Arte Contemporânea - Niterói

Museu de Arte Contemporânea – Niterói

Museu Oscar Niemeyer - Curitiba

Museu Oscar Niemeyer – Curitiba

Catedral de Brasília - Brasília

Catedral de Brasília – Brasília

Edifício Copan - São Paulo

Edifício Copan – São Paulo

Palácio do Planalto - Brasília

Palácio do Planalto – Brasília

Auditório do Ibirapuera - São Paulo

Auditório do Ibirapuera – São Paulo

“A gente tem que sonhar, senão as coisas não acontecem”.

“Se a reta é o caminho mais curto entre dois pontos, a curva é o que faz o concreto buscar o infinito.”

“Não é o ângulo reto que me atrai. Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual. A curva que encontro nas montanhas do meu País, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, nas nuvens do céu, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o Universo – o Universo curvo de Einstein”.

“A vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado…”

“Cem anos é uma bobagem, depois dos 70 a gente começa a se despedir dos amigos. O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela.”

“O que nós queremos na arquitetura, com a mudança na sociedade, não é nada especial. As casas de luxo serão menores. Os grandes empreendimentos urbanos, os cassinos, os teatros, os museus. Tudo isso será maior ainda porque todos deles poderão participar. Não basta fazer uma cidade moderna. É preciso mudar a sociedade”
Em entrevista ao Jornal da Globo, em 2007

“Minha preocupação sempre é fazer uma coisa diferente, que provoque surpresa”.

“Faço arquitetura que me agrada, uma arquitetura ligada às minhas raízes e ao meu país.”

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2 respostas em “À Oscar Niemeyer

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